Marcadores de saúde, explicados · 15/10/2026
Vitamina K: não só coagulação – ossos e coração
A vitamina K2 ativa proteínas que depositam cálcio nos ossos e protegem as artérias da calcificação – o seu papel vai muito além da coagulação.
💡 Pontos-chave
- A osteocalcina requer K2 para fixar o cálcio à matriz óssea – K2 adequada reduz o risco de fraturas.
- A proteína MGP previne a calcificação arterial apenas quando ativada por K2.
- K1 atua principalmente no fígado (coagulação); K2 atinge ossos e artérias.
- O natto é a principal fonte alimentar de K2 (MK-7); queijos e gema de ovo também contribuem.
- Utilizadores de anticoagulantes devem consultar o médico antes de alterar a ingestão de vitamina K.
O que é a vitamina K?
A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel que existe em duas formas principais. A K1 (filoquinona) encontra-se principalmente em vegetais de folha verde como espinafre, couve e brócolos. A K2 (menaquinona) está presente em alimentos fermentados como natto, queijos curados e produtos lácteos fermentados. Embora ambas as formas apoiem a coagulação, os seus papéis no organismo diferem significativamente.
Como a vitamina K atua nos ossos?
A K2 ativa a osteocalcina, uma proteína produzida pelas células formadoras de osso (osteoblastos). A osteocalcina ativada fixa o cálcio à matriz óssea, tornando os ossos mais fortes e densos. Estudos mostram que uma ingestão adequada de K2 está associada a menor risco de osteoporose e fraturas, especialmente em mulheres pós-menopáusicas e idosos.
Vitamina K e vasos sanguíneos
A proteína Gla da matriz (MGP) é um dos inibidores mais potentes da calcificação arterial conhecidos. Sem K2 suficiente, a MGP permanece inativa e não consegue impedir que o cálcio se deposite nas paredes arteriais. Com o tempo, isso leva à rigidez arterial e ao aumento do risco cardiovascular. A K2 ativa a MGP, mantendo as artérias flexíveis e desobstruídas.
K1 e K2 – são iguais?
Não. A K1 é utilizada principalmente pelo fígado para a síntese de fatores de coagulação e é rapidamente metabolizada. A K2, especialmente o subtipo MK-7, tem uma semi-vida mais longa e atinge os tecidos periféricos, incluindo ossos e artérias. O natto (soja fermentada) é de longe a fonte alimentar mais rica em K2 (MK-7). Outras fontes incluem gouda, brie, gema de ovo, manteiga e fígado de frango.
Quem pode ter deficiência?
Vários grupos têm maior risco de deficiência de vitamina K:
- Pessoas em antibioterapia prolongada (os antibióticos reduzem as bactérias intestinais que produzem K2)
- Pessoas com doenças intestinais (Crohn, doença celíaca, síndrome do intestino curto) que comprometem a absorção de gorduras
- Pessoas com ingestão muito baixa de vegetais
- Idosos com dieta pouco variada
- Recém-nascidos (recebem K1 de rotina ao nascimento)
Lista de verificação prática
1. Incluir diariamente vegetais de folha verde (espinafre, couve, brócolos) na alimentação. 2. Adicionar alimentos fermentados – natto, queijos curados, lácteos fermentados – várias vezes por semana. 3. Combinar os alimentos ricos em vitamina K com gorduras saudáveis para melhorar a absorção (é lipossolúvel). 4. Se tomar anticoagulantes (varfarina), NÃO altere a sua ingestão de vitamina K sem consultar o médico – afeta diretamente o INR. 5. Considerar um suplemento combinado vitamina D3 + K2 se a dieta for pobre em ambas, após consulta com profissional de saúde.
Quando consultar o médico imediatamente?
Procure atenção médica urgente se notar:
- Equimoses incomuns ou excessivas sem causa aparente
- Sangramento das gengivas ou sangramento prolongado após pequenos cortes
- Feridas que demoram a cicatrizar
- Se estiver em terapêutica anticoagulante (varfarina/acenocumarol), assegure monitorização regular do INR e nunca ajuste a dose ou a dieta drasticamente sem orientação médica.